
Aclamado pela crítica e premiado no Festival de Sundance, Me and You and Everyone We Know (2005) é um filme simples e inesquecível. Este é o estilo da diretora Miranda July, uma versátil artista-multimídia, autora de instalações sonoras, performances e também escritora que acaba de publicar um livro no Brasil pela editora Agir.
ME AND YOU… é um olhar sobre o cotidiano banal de pessoas que partilham de uma mesma realidade e procuram por conexões significativas num mundo moderno-isolável e carente de tato social. Há muitos personagens curiosos neste filme, como por exemplo uma garotinha que coleciona eletrodomésticos para seu futuro casamento; duas adolescentes que exploram suas sexualidades com um vizinho; um menino de sete anos que brinca ingenuamente em encontros eróticos na Internet; uma artista (interpretada por July) em busca de visibilidade em museus ao mesmo tempo em que trabalha como motorista de táxi para idosos, e tantas outras personagens e cenas não menos curiosas, como a poética cena envolvendo um peixinho de aquário.
ME AND YOU… é um filme sobre as complexas relações entre pessoas que tentam ultrapassar a solidão existencial e encontram redenção em pequenos momentos compartilhados.
Adaptado por Tatiana Belinky, Limeriques da Cocanha foi publicado em janeiro deste ano pela Companhia das Letrinhas e conta a estória (em poesia) de um país chamado Cocanha, muito conhecido durante a Idade Média e fruto da imaginação de um anônimo poeta francês. Lá não havia trabalho e o alimento era abundante para todos, era um lugar feliz, uma terra de permanente lazer e ociosidade, onde todos tinham tudo. “Não havia ricos nem pobres, não existiam sequer cozinhas: as fartas e deliciosas comidas já chegavam prontas à mesa, e até vinham voando diretamente para as bocas abertas e gulosas – mas nunca famintas, já que a fome também não existia ali”, assim nos conta Tatiana Belinky sobre esta estória inventada há mais de sete séculos e que ainda hoje existe no imaginário de muitas pessoas.
As cores e desenhos deste livro são de autoria de Jean-Claude Alphen, ilustrador franco-brasileiro, cujo trabalho admiro e sou fã. Recentemente Jean lançou o livro Cabeça de Sol (Rocco) em parceria com sua irmã.
Kirsten Lepore é animadora, ilustradora freelancer e mora em Nova Jérsei, EUA. Recém graduada no curso de Animação Experimental pela Maryland Institute College of Art, Kirsten já tem um belo trabalho em seu breve currículo. As fotos que ilustram este post são da animação Sweet Dreams (2007), que tem 10 minutos de duração e conta a história de um docinho sonhador que num belo dia resolve construir um barco de açucar e se aventurar pelo mar. A animação em stop-motion levou um ano para ser concluída. O resultado é lindo e outras animações também compõem o site da autora, como “Craig and Walter” (2005) realizada em 3D, com apenas 1 minuto, e “Guess Who” (2006) também em stop-motion e com efeito especial para os nostálgicos apreciadores dos brinquedos da geração 80.
Se tiver tempo, a dica é acessar pangeaday.org para assistir a animação “Sweet Dreams” completa, com mais docinhos e uma floresta de legumes! E aproveitando a carona, outra dica é assistir (no mesmo site) ao curta-metragem L’homme sans tête, (2001), do argentino Juan Diego Solanas.
Reafirmo minha crença (em post anterior) de que a arte deve ir ao encontro do público e estar no cotidiano e nas ruas movimentadas das cidades. Dentro deste cenário e inspirado por Banksy, outro misterioso artista surgiu
em Londres e é conhecido como Slinkachu ou Slinky, apelido dado por seus fãs. O artista interfere no cotidiano dos pedestres e recria a vida cotidiana sob a forma de pequenas esculturas cuidadosamente espalhadas pela cidade.
No blog little-people há várias fotos de intervenções urbanas com estas sutis e delicadas obras de arte, que estarão no livro Little People in the City que será logo publicado e já pode ser encomendado pela Amazon. Vale à pena conferir também no site do artista os outros links de street art que ele indica.
Na semana passada aconteceu o 12º FAM (Florianópolis Audiovisual do Mercosul) e na minha opinião é um dos melhores eventos culturais aqui no Sul. O encerramento deste festival de documentários, animações, curtas e longas-metragens foi com o novo filme da diretora Laís Bodanzky Chega de Saudade, e foi muito bom! Direção de arte, fotografia, trilha sonora e um roteiro impecável. No site do filme podemos ter idéia das dificuldades das filmagens, como por exemplo a continuidade, pois a história se passa em apenas uma noite de baile e tem uma só locação, o salão União Fraterna, em São Paulo.
São 92 minutos onde a história começa com o salão abrindo suas portas, o chegar das pessoas e suas espectativas, os momentos efervescentes do baile e ao final, pouco antes da meia-noite o baile acaba e até o último freqüentador sair, a trama se encerra. “Sempre senti nos salões de baile uma metáfora da vida” – afirma Laís em entrevista no site do filme em que descreve como foi o surgimento da idéia até a produção final do trabalho: “um salão de dança é um mosaico de personagens fantásticos”.
Estão no elenco: Tônia Carrero, Leonardo Villar, Betty Faria, Cássia Kiss, Stepan Nercessian, entre outros e também Elza Soares e Marku Ribas que embalam o salão com um repertório musical brasileiríssimo que dá vontade de dançar na poltrona do cinema! A sensação que o filme produz, num misto de filme-documentário (onde os atores se misturam naturalmente com o elenco de apoio, os reais “pés-de-valsa”), é de que estamos em pleno baile, compartilhando os momentos extrovertidos de pessoas felizes embaladas pela música e pela dança. De acordo com o roteirista Luiz Bolognesi, o foco do filme não está nos acontecimentos, mas nos pequenos sentimentos dos personagens.
Tenho certeza de que este filme vai brilhar e ganhar muitos prêmios, afinal ele merece.
Olá queridos leitores! Que saudades! Quase um mês fora deste universo virtual de que tanto adoro e a vida correndo solta por aí… muitas coisas aconteceram desde então, como a exposição “Coleção Gilberto Chateaubriand: um Século de Arte Brasileira” no MASC (e com previsão de reformas na estrutura do museu para o final do ano); a Let’s Lomo que foi um sucesso em São Paulo e onde a comunidade lomovirtual teve a oportunidade de se conhecer e trocar muitas figurinhas; as séries americanas que terminaram suas temporadas e agora estamos todos lost; e Sex and the City “o filme” que estreou (e ainda não tive tempo de conferir), enfim mil coisas, estamos de volta!









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