Archive for the 'Catlovers' Category

Radioactive Cats

Esta é uma das obras mais conhecidas da artista norte-americana Sandy Skoglund. Fazem parte de seu processo de criação objetos cuidadosamente selecionados e coloridos, em um processo que leva meses para a sua conclusão. Além de objetos esculpidos, a artista completa suas obras (fotos, instalações e vídeos) com a presença de atores.

Skoglund, que é atualmente docente em fotografia e arte instalação na Rutgers University, em Nova Jersey (EUA), afirma que enquanto criava Radioactive Cats, começou a perceber o mundo como se ela fosse um gato.

Alguns críticos escreveram que o número excessivo de gatos em RC indica a perda de controle humano, e que se lido no contexto de uma catástrofe nuclear, o excesso de gatos sugere que a natureza como conhecemos terá sido perdida. Pelo contexto social, a figura dos idosos e o número excessivo de gatos remetem à generosidade dos idosos ao recolher os felinos. Outros afirmam que a autora criou  gatos luminosos (jogando com a idéia de que os gatos pode ver à noite), dispostos em um apartamento sombrio e degradado, criando um mundo para além do nosso controle. E outros exageram ao dizer que a obra retrata animais perseguindo o casal idoso na cozinha, onde no brilho que emana o ato de abrir a porta da geladeira, assiste-se a um pesadelo de velhice e de decrepitude.

Na minha opinião, gatos e humanos estão serenos e em plena harmonia. É uma obra fascinante.

Radioactive Cats (1980): fotografia colorida (cibachrome), 65 x 83 cm.
Acervo: fraclorraine.org

Gatos por Artur da Távola

Quem diz que gato é arrogante, egoísta, sa­­fado e espertalhão não conhece um gato. Gato é zen, é Tao, vê além do ho­mem e relaciona-se com a essência. Exige respeito pe­la sua individualidade, mas também sabe res­pei­tar a dos que o cercam.

Não pede amor, mas é e­xigente com quem ama e exige retribuição. Dis­creto, quando manifesta afeto é muito verdadeiro.

Se o homem não sabe ver o gato, o gato sabe ver o ho­mem. Vê mais, vê dentro, vê além. O gato é uma lição diária de harmonia, equilíbrio e fidelidade. Suas manifestações são íntimas e profundas, vive do verdadeiro e não se ilude com aparências.

Em toda a natureza, nin­guém aprendeu a bastar-se como um gato!

(Adaptação do texto de Artur da Távola [03/01/1936 — 09/05/2008])

Entre Linhas - Escritores e Gatos

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No programa Entre Linhas da TV Cultura passou uma reportagem muito legal sobre a paixão dos escritores por gatos. Depoimentos de Lourenço Mutarelli, Luiz Ruffato, imagens de arquivo dos poetas Haroldo de Campos e Ferreira Gullar, e também algumas frases sobre felinos, como esta de Machado de Assis:

O gato que nunca leu Kant, é talvez um animal metafísico.”

O vídeo está acessível no site do programa. Vale à pena conferir!

Arte em livros

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O artista Mike Stilkey vive e trabalha em Los Angeles, Califórnia, e é um amante de livros. Durante anos comprou livros em sebos para usá-los algum dia, por alguma razão. Hoje, o artista utiliza os livros como suporte para suas obras, e não só as páginas dos livros, mas o livro em si, dentro ou fora, compondo também em suas lombadas.

stilkey03.jpgO artista retrata a melancolia de suas figuras dentro de narrativas de fantasia e contos de fada. Em suas obras incluem seres humanos (homens cansados do mundo e mulheres com aura de decadência e erotismo) e um repertório de animais humanizados como girafas boxeadoras, pombos pensativos, cavalos minúsculos e gatinhos gorduchos.

Quando Stilkey exibiu pela primeira vez sua escultura de livros, foi surpreendido com as reações do público ao verem livros velhos usados como superfície para a pintura, “todo mundo via a escultura de livro e queria tocá-la,” disse Stilkey, “em grande escala é mesmo visualmente intenso, e cheira como uma livraria velha”!

O trabalho de Stilkey é freqüentemente comparado ao do expressionista alemão Otto Dix (1891- 1969), outro artista que muito admiro. As obras de Mike Stilkey estão expostas em galerias dos EUA e Europa.

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Uma mulher chamada Edith Gaertner

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Esta semana estive em Blumenau, mas sem tempo para passeios e cervejas, uma pena! Mesmo assim, achei tudo muito lindo. Blumenau é uma cidade encantadora e cultural, cheia de saborosas confeitarias a cada esquina e de pessoas muito receptivas. Quando eu estava de partida, soube que na cidade havia um Cemitério dos Gatos dentro de um Horto Florestal e que pertenceu a uma atriz que amava gatos e se chamava Edith Gaertner.

Edith era uma mulher à frente de seu tempo. Nascida em 22 de março de 1882, era sobrinha-neta do químico e filósofo Hermann Bruno Otto Blumenau (1819-99), fundador da cidade de Blumenau. Com temperamento independente, aos 20 anos viajou sozinha para Buenos Aires. Seu grande sonho era o teatro e na Argentina conheceu sua musa inspiradora, a atriz Elenora Duse. Edith foi para a Alemanha, onde cursou a Academia de Arte Dramática em Berlim. Percorreu as principais cidades da Europa trabalhando em peças nos mais renomados palcos de teatro, com peças de Goethe, Schiller, Molière e Shakespeare. Com a doença dos irmãos solteiros, Edith teve que retornar a Blumenau em 1924 e abandonou a carreira artística. Ela voltou à Alemanha somente em 1928 e permaneceu lá por mais de um ano. Nesta época, a Alemanha vivia os efeitos do pós Primeira Guerra Mundial. Quando retornou ao Brasil, Edith modificou radicalmente seus hábitos e estilo de vida. Do constante e assíduo contato com o público, preferiu refugiar-se no silêncio da sua propriedade, entre livros, animais e o verde do parque nos fundos da casa, e foi assim até o final de sua vida.

A ameaça de perder parte de seu patrimônio (um dos mais expressivos referenciais da colonização alemã) para dar lugar a uma nova rua, fizeram-na tomar uma atitude: doou para o município uma área de 1.775 m² . A doação foi feita sob a condição de se manter a área tal como a deixara, garantindo que ninguém a perturbasse em seu retiro enquanto vivesse, e que após sua morte este patrimônio continuaria a ser mantido. Edith faleceu em 15 de setembro de 1967. A residência, o horto e outras benfeitorias foram incorporadas à Fundação Cultural de Blumenau, transformadas no Museu da Família Colonial e Parque Botânico Edith Gaertner.

Edith deixou registro fotográfico das flores que alegravam seu belo jardim e dos gatos, seus fiéis companheiros. A atriz tinha grande afeto pelos felinos, que ao morrerem eram enterrados com funeral e cortejo fúnebre. No Cemitério dos Gatos (foto abaixo, à direita) estão enterrados: Pepito, Mirko, Bum, Peterle, Musch, Schnurr, Sittah, Putze e Mirl.

Além do Parque Botânico que leva seu nome, há também a Sala de Teatro Edith Gaertner, dentro da Fundação Cultural de Blumenau, e parte de sua história é contada no longa-metragem “Outra Memória”, dirigido por Chico Faganello.

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Gatos, bigodes ao léu

capa gatos laerteAcho que todo mundo tem o costume de colecionar algo estranho ou peculiar. Pois eu tenho o costume de catar os bigodes dos meus gatos caídos no chão. Já tenho uma porção e ainda não sei bem o que fazer com eles. De repente eu invento alguma “coisa” pós-complexa…

E por falar em bigodes, em janeiro ganhei o livro (que está na foto ao lado) dos ‘Gatos do Laerte‘ e é divertidíssimo. Adoro o trabalho do Laerte e todos os seus personagens hilários, como os Piratas do Tietê, Los 3 amigos e o Homem Catraca. Mas é claro que a Gata e o Gato são os meus preferidos e no livro, logo no início da apresentação dos gatos, há uma ótima descrição de suas características e preferências, que descrevo aqui:
Gata - não gosta de ser definida como fêmea do gato; é uma fêmea absoluta, acima das espécies e das estrelas. Curte Luiz Melodia, acredita em Batman, sonha com números e aposta tudo em sexo bizarro.
Gato - Idealista, criativo, inseguro, portador de uma bagagem cultural mais sortida do que profunda. Tem todas as sonatas de Beethoven, mas já foi visto num karaokê, dando tudo de si pra impressionar a gatinha. E conseguiu.

Laerte é um criador talentoso e catlover revelado na contracapa deste mesmo livro, que diz o seguinte: “Trabalha desde 1973, com o objetivo de comprar ração e areia.” Por esta revelação suponho que os gatos do Laerte são sortudos por terem um dono assim tão generoso e legal!

tira gatos

Renato Tapado

renatotapado.com

Ontem aconteceu em Florianópolis o lançamento oficial do site do escritor, amigo e catlover Renato Tapado. O belo site (criação de Aleph Ozuas, meu companheiro e também criador deste blog, by DZO) tem 13 livros e mais de 800 páginas em arquivos no formato pdf. Poesia, prosa poética, contos, artigos, diário de uma viagem solitária de bike à Patagônia e várias outras categorias compõem o site muito convidativo.

Renato, que vive numa casa charmosa na pequena cidade de Alfredo Wagner (SC), tem paixão antiga pelos felinos. Seus dois gatos (Monet e Griès) reinam livremente pela natureza ao pé da serra e, é claro, gatos não haveriam de faltar na obra do escritor: Gatos, pequeno dicionário poético é um livro em processo e dele eu escolhi este trecho para o catlover de hoje:

CRIANÇAS
Para quem não conhece os gatos, parece um mistério: quando, numa reunião de visitas, crianças entram na casa em que nunca haviam estado e, surpresas, se deparam com um gatinho com olhar confuso no meio da sala, ele de repente foge, a buscar refúgio em algum canto. Isso acontece em maior medida com os gatos adultos. Os filhotes, inocentes e brincalhões todas as horas em que não estão dormindo, acham as crianças divertidas, só que um tanto exageradas. Mas os felinos adultos, depois de tantas experiências, são meio traumatizados. Para uma criança, um gato pode ser um ótimo brinquedo: pode-se, por exemplo, agarrá-lo pelo rabo, arrastá-lo em meio aos móveis, apertá-lo até ele miar, miar como ele até ele não agüentar mais e sumir, colocá-lo de cabeça para baixo, jogá-lo para o alto para verificar se é mesmo verdade que um gato sempre cai com as patas para baixo, e inclusive testar as tais de suas “sete vidas”, pondo-o para secar no microondas ou dando-lhe um banho na máquina de lavar roupas… De posse desse conhecimento acumulado, o gato adulto, quando pequenos humanos entram na sala, disparam. A não ser aquela, que tem nome de flor e, tímida e de voz baixa, pergunta à dona se pode acariciar o gatinho. A resposta é sim, e a menina, em gestos lentos e meigos, sente no pêlo acetinado do gato que o mundo, às vezes, pode se tornar delicado.

monet e gries

O gato de 95 milhões de dólares

Dora Maar with Cat

A vida e obra de Pablo Picasso são bem conhecidas do público em geral, e eu, uma amante de gatos, não havia percebido que dentre as inúmeras obras do pintor espanhol, havia um gato entre elas. Nada como um blog para compartilhar dicas importantíssimas como esta que a leitora, amiga e antropóloga Flavia Motta lançou: a obra “Dora Maar com Gato”, pintada por Picasso em 1941. Além de ser uma das mais famosas obras do artista, esta pintura é, desde 2006, a segunda obra mais cara do pintor, vendida em leilão pelo incrível valor de 95,2 milhões de dólares. O arremate final deu-se a um anônimo russo presente no leilão, mas acredita-se que o verdadeiro dono da obra seja um milionário minerador residente na Geórgia, uma pequena república localizada na fronteira entre a Europa e Ásia, e limitada a oeste com o Mar Negro.

“Dora Maar com Gato” (128,3 cm x 95,3 cm), é um exemplar cubista e retrata a mais famosa amante e grande musa inspiradora de Picasso. Dora foi tão importante para Picasso que, como consta, ajudou o artista a pintar “Guernica”, obra-prima que denuncia o massacre do povo basco pelas tropas franquistas durante a Guerra Civil Espanhola. Na pintura, Dora Maar, com grandes unhas azuis que parecem garras de gato, está sentada numa cadeira com um gatinho preto em seu ombro. Detalhe importante: Dora não gostava de gatos, e a inclusão do felino desconhecido na obra – dizem alguns especialistas – é um símbolo do controle que Picasso exercia sobre esta mulher.

Dora e PicassoFotógrafa de origem iugoslava, Dora, que também foi amante do escritor Georges Bataille, conheceu Picasso (na época com 55 anos) aos 29 anos de idade. Diferente da maioria das outras mulheres, que sempre viveram à sombra do pintor, Dora era uma fotógrafa de talento e prezava por sua privacidade. De acordo com o pintor pernambucano Cícero Dias, que foi amigo de Picasso, Dora era uma mulher nervosa e deprimida, e foi internada várias vezes, porque não agüentava saber do relacionamento de Picasso com outras mulheres.

Picasso e Dora viveram em romance de 1936 a 1943, até quando o pintor a trocou por Françoise Gilot, 39 anos mais nova do que ele. Depois do fim do romance, ela se recolheu à solidão, em Paris. Em 1997, aos 89 anos, Dora morreu sozinha e incógnita, num asilo da capital francesa.