Archive for the 'Filmes' Category

D’un Peu Plus Loin

Uma bela animação criada pelo francês François-Marc Baillet.
Dois minutos com imagens e trilha musical em perfeita sincronia.

Colhido no Smelly cat

John Adams

Enquanto a temporada de séries não recomeça, uma boa dica é assistir aos 7 capítulos de John Adams (2008, HBO).

Estrelada pelo excelente Paul Giamatti (Sideways e American Splendor) no papel título, ao seu lado está a atriz Laura Linney como a dedicada esposa e conselheira Abigail Adams. A série retrata a vida e a jornada de John Adams, importante diplomata e idealista, um dos responsáveis pelo pontapé inicial na ruptura com a Inglaterra para a independência norte-americana. Subestimado e pouco compreendido, Adams foi uma figura importante, cujo legado tem sido muitas vezes eclipsado pelos ilustres Thomas Jefferson, Alexander Hamilton e Benjamin Franklin – também retratados na série. Adams foi o primeiro vice-presidente (George Washington foi o primeiro) e segundo presidente dos EUA. O casal Adams foi também, o primeiro a habitar a Casa Branca.

O roteiro é adaptado do bestseller homônimo de David McCullough, vencedor do Pulitzer Prize em 2002. O diretor da série trabalhou diretamente com o escritor para liquidar os detalhes, e o lado humano da história é capturado na volumosa correspondência entre John e Abigail Adams. Os políticos, militares e amigos pessoais foram cuidadosamente produzidos e a concepção é precisa na criação das maquiagens (David Morse está incrível como George Washington), trajes e cenários.

John Adams não é apenas uma aula para os adeptos da história, mas um drama com grande relevância hoje.

Me and You and Everyone We Know

Aclamado pela crítica e premiado no Festival de Sundance, Me and You and Everyone We Know (2005) é um filme simples e inesquecível. Este é o estilo da diretora Miranda July, uma versátil artista-multimídia, autora de instalações sonoras, performances e também escritora que acaba de publicar um livro no Brasil pela editora Agir.

ME AND YOU… é um olhar sobre o cotidiano banal de pessoas que partilham de uma mesma realidade e procuram por conexões significativas num mundo moderno-isolável e carente de tato social. Há muitos personagens curiosos neste filme, como por exemplo uma garotinha que coleciona eletrodomésticos para seu futuro casamento; duas adolescentes que exploram suas sexualidades com um vizinho; um menino de sete anos que brinca ingenuamente em encontros eróticos na Internet; uma artista (interpretada por July) em busca de visibilidade em museus ao mesmo tempo em que trabalha como motorista de táxi para idosos, e tantas outras personagens e cenas não menos curiosas, como a poética cena envolvendo um peixinho de aquário.

ME AND YOU… é um filme sobre as complexas relações entre pessoas que tentam ultrapassar a solidão existencial e encontram redenção em pequenos momentos compartilhados.

Doces Sonhos

Kirsten Lepore é animadora, ilustradora freelancer e mora em Nova Jérsei, EUA. Recém graduada no curso de Animação Experimental pela Maryland Institute College of Art, Kirsten já tem um belo trabalho em seu breve currículo. As fotos que ilustram este post são da animação Sweet Dreams (2007), que tem 10 minutos de duração e conta a história de um docinho sonhador que num belo dia resolve construir um barco de açucar e se aventurar pelo mar. A animação em stop-motion levou um ano para ser concluída. O resultado é lindo e outras animações também compõem o site da autora, como “Craig and Walter” (2005) realizada em 3D, com apenas 1 minuto, e “Guess Who” (2006) também em stop-motion e com efeito especial para os nostálgicos apreciadores dos brinquedos da geração 80.

Se tiver tempo, a dica é acessar pangeaday.org para assistir a animação “Sweet Dreams” completa, com mais docinhos e uma floresta de legumes! E aproveitando a carona, outra dica é assistir (no mesmo site) ao curta-metragem L’homme sans tête, (2001), do argentino Juan Diego Solanas.

Chega de Saudade

Na semana passada aconteceu o 12º FAM (Florianópolis Audiovisual do Mercosul) e na minha opinião é um dos melhores eventos culturais aqui no Sul. O encerramento deste festival de documentários, animações, curtas e longas-metragens foi com o novo filme da diretora Laís Bodanzky Chega de Saudade, e foi muito bom! Direção de arte, fotografia, trilha sonora e um roteiro impecável. No site do filme podemos ter idéia das dificuldades das filmagens, como por exemplo a continuidade, pois a história se passa em apenas uma noite de baile e tem uma só locação, o salão União Fraterna, em São Paulo.

São 92 minutos onde a história começa com o salão abrindo suas portas, o chegar das pessoas e suas espectativas, os momentos efervescentes do baile e ao final, pouco antes da meia-noite o baile acaba e até o último freqüentador sair, a trama se encerra. “Sempre senti nos salões de baile uma metáfora da vida” – afirma Laís em entrevista no site do filme em que descreve como foi o surgimento da idéia até a produção final do trabalho: “um salão de dança é um mosaico de personagens fantásticos”.

Estão no elenco: Tônia Carrero, Leonardo Villar, Betty Faria, Cássia Kiss, Stepan Nercessian, entre outros e também Elza Soares e Marku Ribas que embalam o salão com um repertório musical brasileiríssimo que dá vontade de dançar na poltrona do cinema! A sensação que o filme produz, num misto de filme-documentário (onde os atores se misturam naturalmente com o elenco de apoio, os reais “pés-de-valsa”), é de que estamos em pleno baile, compartilhando os momentos extrovertidos de pessoas felizes embaladas pela música e pela dança. De acordo com o roteirista Luiz Bolognesi, o foco do filme não está nos acontecimentos, mas nos pequenos sentimentos dos personagens.

Tenho certeza de que este filme vai brilhar e ganhar muitos prêmios, afinal ele merece.

A vida dos outros

Esta semana assisti ao premiado longa alemão Das Leben der Anderen (A vida dos outros, 2006) e pesquisando sobre ele aqui na net encontrei no escrevercinena uma lista de filmes alemães sobre o mesmo tema: um país dividido pelo muro de Berlim, sua queda e sua reunificação. Acho pertinente que este seja um dos principais temas do cinema alemão contemporâneo, já que muito se falou sobre a II Guerra, e não desmerecendo a sua importância, é um tema pra lá de comentado e romanceado. Porém pouco se discutiu sobre suas consequências. Noutro dia, minha professora de alemão contou que, quando viveu na Alemanha Ocidental, seu ex-marido (um pastor luterano) foi convidado a visitar uma igreja na então Alemanha Oriental e o pastor de lá pediu para que eles levassem papéis em branco. Ao chegar na fronteira, o policiamento era tão severo, que durante a inspeção quase desmontaram o carro em que estavam. Ela disse que não foi uma experiência nada agradável e que confiscaram todos os papéis em branco porque era considerado subversivo. Esta é somente uma das tantas histórias sobre esta fronteira que foi, ao mesmo tempo tão estreita e tão difícil de passar.

A história de A vida dos outros se passa em 1984, na antiga DDR (República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental), cinco anos antes da queda do muro de Berlim. Na extinta república, o governo oriental buscava assegurar seu poder através do sistema de controle e vigilância permanente sobre os cidadãos e, inserido neste contexto, o dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch) e sua companheira e atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck) viviam em meio à elite intelectual, porém sem liberdade de expressão e criando apenas o que o governo lhes permitia. Nesta época vários intelectuais cometeram suicídio e esta notícia vazou na imprensa ocidental, chamando a atenção mundial. Com isto, o governo passa a desconfiar do dramaturgo e coloca um fiel agente do sistema, o protagonista do filme, Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) para vigiar e coletar evidências contra o dramaturgo e sua companheira. Entretanto, esta “operação”, cheia de escutas e de microfones ocultos leva a um outro desdobramento: ao submergir na vida dos observados, o agente passa por mudanças profundas e descobre um mundo desconhecido, ao qual tantas pessoas dentro do regime tentavam até então ignorar.

Este filme, mesmo sendo direto e frio (o que é comum nos filmes alemães) é envolvido pela arte e suas formas de pensar e se expressar e, é aí que o filme torna-se tocante, porque nos faz conscientes de que a arte tem a mais rica das funções: enriquecer a nossa própria existência.

Ceský Sen

ceskysenposter.jpgDia desses soube que um colega foi trabalhar com publicidade no Cazaquistão. Ele disse que por causa da abertura do capitalismo naquela região as oportunidades de trabalho cresceram e paga-se muito bem pela mão-de-obra especializada.

Cazaquistão me lembra Borat, mas este episódio me lembrou também um documentário muito interessante sobre o poder da publicidade numa sociedade pós-comunista. O documentário em questão é Sonho Tcheco (ou Czech Dream - Cesky Sen, 2003) filmado todo em Praga, na República Tcheca. Trata-se de dois estudantes de cinema que inventaram uma enorme campanha publicitária para um hipermercado que nunca existiu. Criaram tudo o que uma grande campanha exige, desde slogans, música e folhetos até pesquisas especializadas sobre consumo. O engraçado é que o slogan da campanha era Don’t come, don’t spend, don’t fight!

É impressionante o processo de construção do imaginário dessas pessoas iludidas pelo consumismo e como a propaganda é uma poderosa ferramenta transformadora de opiniões. “Eles mentiram sobre algo que nem existiu, mas quantas vezes nos sentimos enganados por produtos que são reais”?

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Romance em 3 atos

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É difícil comentar sobre um só filme do escritor e diretor Richard Linklater, que é um dos primeiros e mais talentosos diretores de filmes independentes da geração dos anos 90.

Em post anterior, comentei sobre o filme Before Sunset, mas antes é preciso falar de Before Sunrise, filmado em 1995. O filme começa quando Jesse, um jovem norte-americano (Ethan Hawke) encontra a estudante francesa Celine (Julie Delpy) num trem que está indo de Budapeste para Viena. Imediatamente conectados por conversas que vão de assuntos metafísicos ao abstrato, os dois percebem uma forte conexão entre si. Jesse convence Celine a prorrogar seu retorno à França e ficar com ele em Viena até que seu avião parta para os EUA na manhã do dia seguinte. Durante as poucas horas de relacionamento, os dois trocam experiências num encontro não só de sentimentos, mas pleno de diálogos profundos, enquanto exploram os belos caminhos de Viena.

Before Sunset (2004) é outro encontro de Jesse e Celine, 9 anos depois, agora em Paris, amplificando a maturidade emotiva dos dois personagens. A história desse reencontro é contada durante pouco menos de uma hora e meia, que corresponde praticamente ao tempo real em que decorre a ação do filme. Nele, sabemos finalmente o que aconteceu depois do encontro em Viena e de como este episódio marcou as suas vidas. A originalidade do roteiro (escrito também por Hawke e Delpy) com diálogos bem construídos tem um bom argumento e interpretações bastante naturais somado à magnífica fotografia de Paris. O filme tem trilha sonora composta e cantada pela própria Julie Delpy. O espectador verá a beleza do reencontro entre duas pessoas que se conheceram há 9 anos e que têm muita conversa para pôr em dia.

Enfim, um romance sensível, passional e inteligente em 2 atos. Filmes que mostram a fina forma de sedução pela conversação. (Sim, isto é possível!)

Mas a história do casal Jesse e Celine não pára por aí, em outro filme de Linklater o casal reaparece. É em Waking Life (2001), que só pela trilha sonora composta pela Tosca Orquestra já é um filme que vale muito à pena. E nem só por isso! O filme é questionador sobre os mistérios da vida, na tentativa de achar e discernir a diferença absoluta entre o despertar da vida e o sonhar. Uma fuga de realidade ou a realidade em si?

Eu disse que era difícil comentar sobre um só filme deste diretor… e ainda tem mais: Dazed and Confused (1993), A Scanner Darkly (2006), Fast Food Nation (2006) e outros. Recomendo todos!

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