Archive for the 'Filmes' Category Page 2 of 3



Ceský Sen

ceskysenposter.jpgDia desses soube que um colega foi trabalhar com publicidade no Cazaquistão. Ele disse que por causa da abertura do capitalismo naquela região as oportunidades de trabalho cresceram e paga-se muito bem pela mão-de-obra especializada.

Cazaquistão me lembra Borat, mas este episódio me lembrou também um documentário muito interessante sobre o poder da publicidade numa sociedade pós-comunista. O documentário em questão é Sonho Tcheco (ou Czech Dream - Cesky Sen, 2003) filmado todo em Praga, na República Tcheca. Trata-se de dois estudantes de cinema que inventaram uma enorme campanha publicitária para um hipermercado que nunca existiu. Criaram tudo o que uma grande campanha exige, desde slogans, música e folhetos até pesquisas especializadas sobre consumo. O engraçado é que o slogan da campanha era Don’t come, don’t spend, don’t fight!

É impressionante o processo de construção do imaginário dessas pessoas iludidas pelo consumismo e como a propaganda é uma poderosa ferramenta transformadora de opiniões. “Eles mentiram sobre algo que nem existiu, mas quantas vezes nos sentimos enganados por produtos que são reais”?

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Romance em 3 atos

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É difícil comentar sobre um só filme do escritor e diretor Richard Linklater, que é um dos primeiros e mais talentosos diretores de filmes independentes da geração dos anos 90.

Em post anterior, comentei sobre o filme Before Sunset, mas antes é preciso falar de Before Sunrise, filmado em 1995. O filme começa quando Jesse, um jovem norte-americano (Ethan Hawke) encontra a estudante francesa Celine (Julie Delpy) num trem que está indo de Budapeste para Viena. Imediatamente conectados por conversas que vão de assuntos metafísicos ao abstrato, os dois percebem uma forte conexão entre si. Jesse convence Celine a prorrogar seu retorno à França e ficar com ele em Viena até que seu avião parta para os EUA na manhã do dia seguinte. Durante as poucas horas de relacionamento, os dois trocam experiências num encontro não só de sentimentos, mas pleno de diálogos profundos, enquanto exploram os belos caminhos de Viena.

Before Sunset (2004) é outro encontro de Jesse e Celine, 9 anos depois, agora em Paris, amplificando a maturidade emotiva dos dois personagens. A história desse reencontro é contada durante pouco menos de uma hora e meia, que corresponde praticamente ao tempo real em que decorre a ação do filme. Nele, sabemos finalmente o que aconteceu depois do encontro em Viena e de como este episódio marcou as suas vidas. A originalidade do roteiro (escrito também por Hawke e Delpy) com diálogos bem construídos tem um bom argumento e interpretações bastante naturais somado à magnífica fotografia de Paris. O filme tem trilha sonora composta e cantada pela própria Julie Delpy. O espectador verá a beleza do reencontro entre duas pessoas que se conheceram há 9 anos e que têm muita conversa para pôr em dia.

Enfim, um romance sensível, passional e inteligente em 2 atos. Filmes que mostram a fina forma de sedução pela conversação. (Sim, isto é possível!)

Mas a história do casal Jesse e Celine não pára por aí, em outro filme de Linklater o casal reaparece. É em Waking Life (2001), que só pela trilha sonora composta pela Tosca Orquestra já é um filme que vale muito à pena. E nem só por isso! O filme é questionador sobre os mistérios da vida, na tentativa de achar e discernir a diferença absoluta entre o despertar da vida e o sonhar. Uma fuga de realidade ou a realidade em si?

Eu disse que era difícil comentar sobre um só filme deste diretor… e ainda tem mais: Dazed and Confused (1993), A Scanner Darkly (2006), Fast Food Nation (2006) e outros. Recomendo todos!

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A Noiva Síria

noivasiria01.jpgCasamento é pra ser uma ocasião especial e festiva, principalmente para a noiva. Mas o dia do casamento de Mona (Clara Khoury) é o dia mais infeliz de sua vida. A Noiva Síria (2004) é um filme franco-teuto-israelense rodado na fronteira entre Israel e Síria, nas colinas de Golã, região ocupada por Israel.

O filme ganhador de vários prêmios é dirigido por Eran Riklis e retrata a preparação de um casamento típico entre uma jovem drusa e moradora do lado israelense com um astro de tv (também druso) e morador do lado sírio. Mona conhece seu noivo apenas pela tv e para casar ela tem que passar pela fronteira entre Israel e a Síria, e sendo assim ela nunca mais veria sua família, por ser impossível retornar. Para passar de um lado para o outro, a burocracia de cada lado transforma o casamento em uma festa do absurdo, onde somente sua forte irmã Amal (Hiam Abbass) consegue apaziguar os ânimos e diferenças entre os membros da família.

É uma história pessimista num dia festivo, inserido num cenário pitoresco de uma região ocupada pela hostilidade, indiferença e burocracia. Um casamento diferente, emocionante e lindo.

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O sabor e a paixão

mostlymartha.jpgImpossível esquecer os deliciosos clássicos que excitam o paladar e aguçam as papilas gustativas! A Festa de Babette, Como Água para Chocolate, O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante, e O Tempero da Vida são alguns exemplos de filmes que quando terminam dá aquele louco desejo de saborear um belo prato ou sair cozinhando maravilhosamente bem. Outro exemplo com muitos ingredientes especiais e pouco conhecido, porém muito saboroso é Simplesmente Martha (2001). O filme é alemão e logo na abertura tem uma bela sequência de imagens mostrando a preparação de um prato refinado.

O filme conta a história de Martha Klein (interpretada por Martina Gedeck, estrela do filme A vida dos Outros, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2007), uma cozinheira perfeccionista e incontestável que trabalha num refinado restaurante em Hamburgo. Sua vida, que não tem lugar para relacionamentos, é firmemente centrada ao redor da cozinha. Mesmo quando é obrigada a fazer terapia, Martha insiste em conversar sobre suas criações culinárias ou sobre a arte dos condimentos.

Sua organizada rotina muda quando sua irmã morre num acidente de carro, deixando uma filha de 8 anos. Martha acolhe a sobrinha e enquanto tenta descobrir o paradeiro do pai da menina, ela acaba perdendo o foco no trabalho e um cozinheiro italiano (Mario, interpretado por Sergio Castellitto, que atuou também em Paris, Te amo, de 2006) é contratado para ajudá-la a comandar a cozinha do restaurante. Martha sente-se ameaçada por este charmoso e extrovertido intruso, onde as pressões de ambos criam uma situação que mudará suas atitudes e escolhas, surgindo assim um saboroso e profundo romance.

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Público x Privado

sickoOntem vi Sicko (2007), do Michael Moore e como seus outros filmes, gostei é claro. Neste novo documentário, Moore compara o sistema de saúde norte-americano (totalmente dirigido e manipulado por grandes seguradoras) com os sistemas de saúde público de outros países. Moore sempre gera polêmica e calorosas discussões. Foi acusado de não ser patriota, por aumentar as comparações e exagerar nos fatos. Será mesmo?

Em Sicko, Michael entrevista voluntários que socorreram e ajudaram nas buscas pelas vítimas do 11 de setembro. Hoje, muitos deles sofrem de doenças respiratórias e não conseguem pagar pelas consultas médicas. Michael leva alguns destes voluntários para Cuba e lá recebem todo o tratamento necessário, dentro de um sistema gratuito e eficiente. Em outra passagem de Sicko, um ex-membro do Parlamento britânico (Tony Benn) explica que o sistema público de saúde (para contribuintes) britânico foi criado em 1948, com o poder da democracia, porque antes, o cidadãos só poderiam ter cuidados médicos se tivessem dinheiro e, com o voto, o poder passou para a classe mais pobre; ele ainda diz que, se um governo consegue dinheiro para matar pessoas, também consegue arranjar dinheiro para ajudar as pessoas. Em tempos de eleições, o filme revela também como Hillary Clinton, a então temida 1ª dama em busca de um sistema de saúde público gratuito para todos os cidadãos, vende-se para as companhias de seguro com o passar dos anos.

Os EUA é um país privatizado. E isto me causa medo, porque o Brasil é um país muito influenciado pelos EUA. Numa das conversas com a amiga Regininha, ela citou de memória esta frase do Millôr Fernandes: “Quando chego a um país, e a imprensa dali diz que não há liberdade, e os crimes contra o ser humano são intoleráveis, sei que estou numa democracia. Quando chego a um país, e sua imprensa diz que ali é um paraíso, e tudo está na maior das maravilhas, sei que estou numa ditadura.” Esta frase faz todo o sentido quando, mesmo numa democracia, governantes mantêm as pessoas oprimidas, controladas e desmoralizadas.

Enfim, acredito que Michael Moore é sim um patriota estadunidense, merecedor de respeito e apoio, porque o importante é debater sobre as questões apontadas no documentário. Afinal, saúde não é um luxo, é um direito.

Joyeux Noël (2005)

Joyeux NoëlVéspera de Natal, 1914. Em uma zona de conflito da I Guerra Mundial, um cessar fogo em busca da paz muda a vida de soldados franceses, alemães e ingleses. Baseado em fatos reais, o filme escrito e dirigido por Christian Carion mostra que mesmo em guerra, pode haver bondade e respeito entre os humanos e até mesmo entre soldados combatentes em lados opostos.

Uma trégua informal, onde em pleno front, vários soldados encontram-se pacificamente numa “zona de ninguém”, a fim de compartilhar uma preciosa pausa em respeito às crenças individuais, num momento único, mesmo sabendo que seus superiores não tolerarão esta ocorrência. Além dos sentimentos e destino de cada soldado, o filme mostra a absurda política por detrás da guerra e como cada soldado é muito mais do que um alvo de canhão, porque sem um inimigo não pode haver nenhuma guerra.

É um filme diferente sobre o Natal e para o Natal, diferente de muitas bobagens sobre papai Noel e falsas ilusões que Hollywood costuma vender. Falado nos idiomas de cada personagem, Joyeux Nöel é uma co-produção européia e estrelado pelo jovem ator Daniel Brühl, o mesmo do ótimo Goodbye Lenin! e Edukators.

Joyeux Noël

Com esta dica de filme de Natal, me despeço de você amigo leitor, desejando ótimas festas e um ótimo 2008!

Carnivàle

Carnivale

Carnivàle é uma série norte-americana com apenas duas temporadas. Mesmo com os apelos de inúmeros fãs, a série teve seu fim prematuramente decretado em 2005. Não caiu no gosto popular norte-americano. Não tinha audiência necessária que agradasse aos patrocinadores. Não tinha gente famosa, bonita e descolada. Enfim, não era a fórmula convencional de séries HBO. Mas… depois do lançamento dos 2 DVD’s completos da série em 2006, Carnivàle adquiriu notoriedade e vem sendo cultuada pela sua originalidade, conceito, roteiro, figurino, fotografia (brilhantes) e edição.

Criada por Daniel Knauf, Carnivàle é um freakshow circo com parque de diversões itinerante rodeado de mistérios (me lembrou muito o filme “As 7 Faces do Dr. Lao“), que percorre os territórios desertos dos Estados Unidos, durante a grande depressão de 1934. Narra simultaneamente as histórias de um fugitivo prisioneiro com poderes milagrosos (Nick Stahl) que se agrega ao circo, e a de um reverendo metodista poderoso e manipulador, na ótima interpretação do ator Clancy Brown. Pouco a pouco, o mistério de cada personagem se derenrola e os fatos levam em direção a um grande conflito entre o bem e o mal que está apenas prestes a começar.

A série começa com um discurso de Samson, o pequeno e simpático gerente do circo:

Antes do início, depois da grande guerra entre o Céu e o Inferno, Deus criou a Terra e a entregou ao ardiloso macaco chamado homem. E a cada geração nascia uma criatura de luz e uma criatura de trevas. E grandes exércitos se digladiaram na noite da antiga guerra entre o bem e o mal. Era um tempo de magia, nobreza e inimaginável crueldade. E foi assim até o dia em que um falso sol explodiu sobre Trinity, e o homem trocou para sempre a magia pela razão.

Na minha opinião, Carnivàle é uma das mais fantásticas produções já realizadas para a TV. Uma série carregada de magia e fantasia, particularmente misteriosa e bela.

C.R.A.Z.Y. (2005)

crazyO cinema canadense está entre os melhores do mundo, e um ótimo exemplo desta afirmação é o filme C.R.A.Z.Y., dirigido por Jean-Marc Vallée.

Zac (Marc-André Grondin), é o terceiro dos quatro filhos do rigoroso Gervais e da doce Laurianne. Entre a convivência amorosa e estreita com a mãe e a relação imcompreendida com o pai, Zac cresce entre os anos rebeldes de Quebéc. Totalmente desconfortável com sua sexualidade, Zac tenta adequar-se ao papel de filho normal para agradar a religiosidade da mãe e a intolerância do pai. A narrativa de sua história com o aprendizado entre os irmãos se passa entre anos 60 a 80, embalados por uma trilha sonora de altíssima qualidade, com músicas de Pink Floyd, Rolling Stones, Jefferson Airplane, David Bowie, entre outros.

Em passagens completamente inesperadas, o talentoso diretor Jean-Marc Vallée aborda as contradições humanas numa espécie de fábula mística e moderna, explorando beleza, poesia e loucura numa Canadá pouco conhecida pelo público em geral.