Ontem vi Sicko (2007), do Michael Moore e como seus outros filmes, gostei é claro. Neste novo documentário, Moore compara o sistema de saúde norte-americano (totalmente dirigido e manipulado por grandes seguradoras) com os sistemas de saúde público de outros países. Moore sempre gera polêmica e calorosas discussões. Foi acusado de não ser patriota, por aumentar as comparações e exagerar nos fatos. Será mesmo?
Em Sicko, Michael entrevista voluntários que socorreram e ajudaram nas buscas pelas vítimas do 11 de setembro. Hoje, muitos deles sofrem de doenças respiratórias e não conseguem pagar pelas consultas médicas. Michael leva alguns destes voluntários para Cuba e lá recebem todo o tratamento necessário, dentro de um sistema gratuito e eficiente. Em outra passagem de Sicko, um ex-membro do Parlamento britânico (Tony Benn) explica que o sistema público de saúde (para contribuintes) britânico foi criado em 1948, com o poder da democracia, porque antes, o cidadãos só poderiam ter cuidados médicos se tivessem dinheiro e, com o voto, o poder passou para a classe mais pobre; ele ainda diz que, se um governo consegue dinheiro para matar pessoas, também consegue arranjar dinheiro para ajudar as pessoas. Em tempos de eleições, o filme revela também como Hillary Clinton, a então temida 1ª dama em busca de um sistema de saúde público gratuito para todos os cidadãos, vende-se para as companhias de seguro com o passar dos anos.
Os EUA é um país privatizado. E isto me causa medo, porque o Brasil é um país muito influenciado pelos EUA. Numa das conversas com a amiga Regininha, ela citou de memória esta frase do Millôr Fernandes: “Quando chego a um país, e a imprensa dali diz que não há liberdade, e os crimes contra o ser humano são intoleráveis, sei que estou numa democracia. Quando chego a um país, e sua imprensa diz que ali é um paraíso, e tudo está na maior das maravilhas, sei que estou numa ditadura.” Esta frase faz todo o sentido quando, mesmo numa democracia, governantes mantêm as pessoas oprimidas, controladas e desmoralizadas.
Enfim, acredito que Michael Moore é sim um patriota estadunidense, merecedor de respeito e apoio, porque o importante é debater sobre as questões apontadas no documentário. Afinal, saúde não é um luxo, é um direito.
Últimos Comentários