Archive for the 'Fotografia' Category

Melting Away

As fotos que ilustram este post são parte do projeto “Melting Away”, de Camille Seaman, uma norte-americana descendente de índios Shinnecock e criada numa pequena reserva em Long Island, no estado de Nova York. A fotógrafa obteve sua formação profissional ao lado de Steve McCurry (National Geographic), Sebastião Salgado entre outros.

Seaman descobriu o extremo norte do planeta em 1999 em viagem ao Alasca. Mais tarde, ela e alguns membros da família viajaram para uma geleira do Ártico norte (Noruega) e esta viagem, por sua vez, inspirou outra viagem para uma geleira na Antártida, em 2005. Lá, viu o seu primeiro iceberg. Mais tarde, Seaman fez outra viagem a uma geleira russa, sempre fotografando icebergs como um baú de tesouros, onde capta a sensibilidade do mundo exterior com a sua própria. Para Seaman, o objetivo é mostrar a individualidade dos icebergs como “brilhantes massas de tempo e experiência”.

“Top five” das férias de Julho

1. Estar com a família e comer delícias caseiras;
2. Adorar um gato;
3. Passear pela cidade e encontrar paisagens inusitadas;
4. Visitar um museu;
5. Apreciar o entardecer na antiga estação ferroviária.

Let’s LOMO

Próxima quinta-feira, dia 8, é a abertura do projeto Let’s LOMO em São Paulo, capital. O projeto é uma exposição coletiva (estou incluída) e itinerante com imagens fotográficas capturadas pelas câmeras Lomo. Além da exposição, no dia 10 (sábado) acontecerá o Congresso Lomográfico na Coletivo Galeria em Pinheiros.

Infelizmente não poderei estar lá, mas para quem estiver em São Paulo é uma boa dica. Os lomógrafos brasileiros são muito bacanas e o evento terá Lomowalk, Workshop de Gambiarra com o professor-pardal-das-lomos Julio França e mesa redonda sobre Lomografia com Ana Paula Hiromi, Alexandre Dalbergaria, Luciano Munhoz, Fernanda Antoun e Damião Santana. E com certeza, terão muitas outras mesas redondas pelos botecos da cidade!

Organizada pelo coletivo RecifeMostraLOMO, o projeto pretende dar mais visibilidade à produção lomográfica brasileira e valorizar a essência do olhar fotográfico e a experimentação que o fundamenta. No site do evento tem mais informações.

O silêncio de Candida Höfer

A artista alemã Candida Höfer registra espaços onde a mistura de diferentes épocas se encontram. Desde 1979 Candida fotografa espaços públicos ou semipúblicos como igrejas, hotéis, salas de espera, auditórios e teatros. Muitas das fotografias de Höfer são dedicadas às bibliotecas e museus, estes que são centros da vida cultural, “onde a cultura é categorizada, administrada, guardada e exposta” (Höfer). As mais lindas bibliotecas de todo o mundo podem ser vistas na publicação “Libaries”da editora Thames and Hudson e com prefácio de Umberto Eco.

Os interiores fotografados por Höfer são locais de transição, organização e conhecimento e raramente os espaços fotografados incluem seres humanos. A presença humana é apenas sentida indiretamente, embora ela esteja sempre lá inscrita na matéria e na memória de quem habitou estes edifícios ou de quem os ergueu, passou ou hoje deles usufruem.

Admiro o trabalho desta artista porque além do tema proposto entre o público e o privado, o silêncio e os templos sagrados de livros, é a luz natural que prevalece em suas fotografias. Obras completamente desprovidas de pessoas, esta é a marca, o registro e o rastro do Höfer, cuja obra irradia uma serenidade reconfortante, em que o silêncio e o vazio predominam.

As imagens acima são das bibliotecas: Trinity College Library Dublin, Biblioteca de la Real Academia de la Lengua Madrid e La Bibliothèque Nationale de France, Paris. A foto abaixo é da British Library, em Londres.

Save Polaroid

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As máquinas fotográficas analógicas estão em extinção e os filmes fotográficos também já estão ameaçados. Para quem ainda utiliza filmes negativos ou positivos percebe que os custos andam cada vez mais altos e que as caixinhas, dia após dia, desaparecem das estantes dos laboratórios. Se era difícil adquirir as máquinas, abastecê-las com filmes ficou ainda pior.

Em post anterior escrevi sobre o projeto “Polaroid 669″ do designer Piotr Zastrozny. Adoro fotos neste formato e não tenho uma câmera Polaroid, mas mantenho a esperança de adquirí-la num futuro não muito distante. Será que ainda me resta tempo?

polaroid02.jpgNo dia 8 de fevereiro deste ano a Polaroid Corporation anunciou que irá descontinuar a produção de filmes instantâneos. Depois do anúncio, alguns designers, artistas e fotógrafos criaram o site Save Polaroid, um local que documenta e serve como base para o esforço em convencer outras companhias a produzir a mesma tecnologia que a Polaroid tão negligentemente abandonou. No site há artigos, petições, links e histórias afetivas que ajudam a planejar um futuro melhor para os filmes instantâneos criados por Edwin H. Land.

Ao que parece, a FujiFilm ainda continuará fazendo filmes instantâneos (o Instax), mas por enquanto disponível somente no Japão. É, resta pouco tempo…

Anônimos bem vestidos

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O blog The Sartorialist muitos já conhecem e pertence a Scott Schuman, um apaixonado por moda e fotografia que misturou estes dois segmentos e se transformou num profissional da moda que fotografa anônimos bem vestidos nas ruas das capitais mais fashionistas do mundo. É em Nova York, Paris, Milão e Tóquio que Scott fotografa cenas cotidianas de mulheres e homens indo trabalhar, ou andando de bicicleta, ou passeando com seus cachorros, todos sempre muito estilosos. Além do blog de sucesso, Scott também escreve para importantes revistas e sites de moda. Segundo ele, nas ruas a moda é mais realista, e é possível ter estilo com peças acessíveis, “moda não é uma questão de dinheiro, e sim de elegância”. Chique e simples, né não?

Muitos designers usam The Sartorialist em seus processos de criação. E pegando uma carona com Scott, o blog wearpalletes vai além das fotos dos anônimos. O blog, criado e mantido por um estudante de design gráfico, cria paletas de cores de acordo não só com as roupas do pedestre, mas também com a cor dos cabelos, dos acessórios, da pele, ou da bicicleta, ou do cachorro! É realmente inspirador, porque as paletas de cores são incríveis.

Outro site também muito recomendado para designers é o colorlovers que disponibiliza várias paletas de cores e estampas, criadas pelos visitantes do site, além de fóruns de discussão, entrevistas com artistas e designers e muita, muita inspiração.
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Piotr Zastrozny

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Piotr Zastrozny é fotógrafo, músico e designer polonês. Expõe seu trabalho em diversas revistas e sites internacionais. Seus projetos são muito interessantes, e através do belo design de seu site, é possível navegar pelos seus projetos fotográficos, como por exemplo o “Polaroid 669″, em que Piotr clica uma foto por dia, desde maio de 2003. Há também o projeto “People” com excelentes retratos, “Holga”, que é umas das cameretas da marca Lomo, e muito mais.

Polaroid 669

Lomography: não pense, apenas fotografe

LC-AEra uma vez… no ano de 1982, durante a guerra fria, lá na distante e antiga União Soviética, mais precisamente em São Petersburgo, um certo general russo ordenou ao diretor da maior empresa óptica de seu país, que fabricasse muitas e muitas máquinas fotográficas pequeninas, baratas, robustas e fáceis de usar, para que todas as famílias pudessem registrar suas alegrias (ou não!). A fábrica, cujo nome era LOMO (Leningradskoye Optiko Mechanichesckoye Obyedinenie), muito rapidamente começou a fabricar uma máquina que seria produzida em série, a LC-A (Lomo Kompact Automat) e que passou a ser vendida também em outros países comunistas como a Cuba, Alemanha Oriental e Vietnã. Mas o comunismo da então União Soviética acabou e as câmeras foram esquecidas e desaparecendo com o tempo.

Em 1991, dois jovens estudantes austríacos saem de férias em Praga e percebem que esqueceram suas câmeras fotográficas. Descobrem num antiquário uma antiga máquina LC-A. Entusiasmados com a pequena máquina, fotografam tudo e todos, muitas vezes sem olhar através da objetiva. De volta à Viena, o fascínio dos estudantes pelo resultado das cores, luz e qualidade das imagens (focadas ou desfocadas) foi tão contagioso, que rapidamente a boa nova se espalhou e as cameretas tornaram-se febre entre os jovens da cidade, que viajavam até Praga para também comprar a máquina.

lojalomoespanhaA mania cresceu tanto que em 1994, nascia em Viena a Lomography Society com o objetivo de afirmar o valor artístico da lomografia através de diversos eventos culturais, dentre eles a primeira exposição internacional lomográfica que ocorreu simultanemente em Moscou e Nova York, disponibilizando lado a lado milhares de imagens, constituindo um imenso Lomowall. A Society (comunidade) tinha como objetivo impedir o desaparecimento das máquinas fotográficas russas.

LC-A photo exampleQuando a LOMO ameaçou parar de fabricar a LC-A, os jovens austríacos foram à Rússia propor a Vladmir Puttin que os russos continuassem a produzir a câmera e a Sociedade Lomográfica garantiria as vendas. Deu certo e em pouco tempo a Lomografia tornou-se um dos mais criativos movimentos culturais da atualidade, alcançando outros países da Europa, os Estados Unidos e Ásia. Hoje as câmeras são fabricadas na China.

Mas o que torna a LC-A tão especial? Sua exposição automática, feita sob medida para difíceis condições de luz sem o uso do flash e as lentes Minitar, que adicionam brilho às cores e criam efeitos inusitados.

Através do website da comunidade, a idéia de registrar o cotidiano foi espalhado sob o slogan “Não pense, apenas fotografe”. Hoje a fabricação e diversidade de câmeras LOMO (todas analógicas) é enorme. No Brasil existe a LomoBR, onde você encontra mais informações sobre esta mania mundial e também todas as ‘10 golden rules‘.