Category Archives: Livros Infantis

Prêmio Jabuti 2008

O resultado do Jabuti deste ano foi uma grata satisfação. O prêmio de melhor ilustração de livro infantil ou juvenil foi para a Mariana Massarani, pelo livro Toda criança gosta, escrito por Bia Hetzel e publicado pela editora Manati. As ilustrações da Mariana são lindas e muito coloridas. Este livro é especial porque o texto fala dos valores universais da infância ao lembrar do que toda criança gosta, como levantar da cama sem pressa; receber um sorriso junto com o bom-dia; ouvir um segredo cochichado; ser ouvida quando precisa falar, e muito mais.

Na categoria de melhor romance ganhou O filho Eterno, do escritor Cristóvão Tezza, publicado pela editora Record. Neste livro, Tezza expõe as dificuldades e as pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down, ao mesmo tempo em que recorda a sua trajetória como professor em universidade pública e como escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta.

O livro é bom demais, e este artigo de Leandro Oliveira para o LeMonde Diplomatique resume muito bem o tom deste romance de Tezza: “é um mergulho num mundo íntimo, mas equilibrado pela ficção. Engana-se quem pensa que encontrará ali o autor contando a verdade, as memórias de sua vida. Há um afastamento, proposto pela construção da narração em terceira pessoa, que faz toda a diferença nos trechos mais difíceis… Mais do que uma história de filho doente, O filho eterno é uma bela reflexão sobre a paternidade, sobre ser escritor e sobre o momento político conturbado dos anos 1980.”

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Leia também a entrevista de Tezza para a Ciberarte, onde o escritor fala de sua relação com a internet e seu processo de criação.

Cocanha: um país imaginário

Adaptado por Tatiana Belinky, Limeriques da Cocanha foi publicado em janeiro deste ano pela Companhia das Letrinhas e conta a estória (em poesia) de um país chamado Cocanha, muito conhecido durante a Idade Média e fruto da imaginação de um anônimo poeta francês. Lá não havia trabalho e o alimento era abundante para todos, era um lugar feliz, uma terra de permanente lazer e ociosidade, onde todos tinham tudo. “Não havia ricos nem pobres, não existiam sequer cozinhas: as fartas e deliciosas comidas já chegavam prontas à mesa, e até vinham voando diretamente para as bocas abertas e gulosas – mas nunca famintas, já que a fome também não existia ali”, assim nos conta Tatiana Belinky sobre esta estória inventada há mais de sete séculos e que ainda hoje existe no imaginário de muitas pessoas.

As cores e desenhos deste livro são de autoria de Jean-Claude Alphen, ilustrador franco-brasileiro, cujo trabalho admiro e sou fã. Recentemente Jean lançou o livro Cabeça de Sol (Rocco) em parceria com sua irmã.