Ser feliz é ter um livro novo pra ler, e sentir aquele cheiro de papel que livro novo tem – uma diliça! – amar a capa linda que fizeram, e gostar dele de monte, sem vontade de largar, e aprendendo uma porrada de coisas novas sobre gentes e sentimentos.”
Adorei esta frase escrita pela Regininha, retirada da crônica “Ser feliz”, que saiu pelo AN, na quinta-feira passada. Gostei demais porque adoro livros! Ler, fazer, cheirar, e apreciá-los como objeto.
Ler livros nos faz viajar tão alto e tão longe, que às vezes nem dá vontade de voltar! E relembrando um post anterior… eu mencionei que nas férias viajei a Londres, no começo do século XX. Pois bem, foi uma viagem fantástica, porque descobri a capital inglesa pelas palavras de dois escritores. Um deles é o escritor argentino Rodrigo Fresán, autor do romance Jardins de Kensington, que numa mistura de cenários ingleses (a Londres vitoriana e a Londres psicodélica dos anos 1960), conta a história de J. M. Barrie, o criador do clássico Peter Pan. Baseado nos diários e cartas de J. M. Barrie, Fresán revela a aproximação do criador com os irmãos Llewelyn Davies, que ficaram famosos por serem os inspiradores desta fábula eterna. Uma curiosidade: a história do filme Finding Neverland (2004), estrelado por Johnny Depp, não é fiel à vida do escritor, que dizia:
A melhor coisa do mundo é ser criança e a segunda melhor coisa do mundo é escrever sobre ser criança.”
Em outro livro, passeei pela Londres de Virgínia Woolf, através do diário da escritora. Li a versão portuguesa, pois a edição brasileira está esgotada, infelizmente. No diário, Virgínia expõe suas críticas e seus encantamentos pelos lugares da cidade e revela um pouco sobre seu conturbado processo criativo. Analisa minuciosamente seus amigos do Bloomsbury Group, e também outros escritores ainda desconhecidos, como T. S. Eliot e Aldous Huxley. Além disso, Virgínia descreve seu dia-a-dia na Hogarth Press, editora fundada em 1917 e que pertencia à ela e seu marido Leonard Woolf. Que diliça! – como diz Regininha, ler as palavras de Virgínia sobre os dias inteiros que passava costurando livros e escolhendo as capas desenhadas pela artista e irmã Vanessa Bell. E para minha surpresa, Virginia escreve com tristeza (em maio de 1921) sobre a morte inesperada de um dos irmãos Llewelyn Davies, pois afinal, todos moravam nos arredores dos Jardins de Kensington.
Concordo com Rodrigo Fresán quando ele diz que “é melhor não ir para conhecer melhor”. Fui a Londres duas vezes e não gastei nada, pois eram livros emprestados! E no final da viagem ainda encontrei esta frase de Virgínia:
Ser feliz é virar tudo do avesso de três ou quatro em quatro anos. Mudar sempre de rumo para se seguir contra o vento.”







A editora 
Um dos primeiros sites especializados em arte na França, a Bookstorming é uma livraria dedicada à apresentação, distribuição e venda de livros de arte contemporânea, livros de artista com edições limitadas, catálogos e publicações como a revista 
Um livro existe sem leitor? Será que o mundo do texto existe quando não há ninguém para dele se apossar, para dele fazer uso, para inscrevê-lo na memória ou para transformá-lo em experiência? Estas e outras saborosas perguntas são respondidas no livro do historiador e professor especialista em história das práticas culturais e história do livro e da leitura 
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