Ontem aconteceu em Florianópolis o lançamento oficial do site do escritor, amigo e catlover Renato Tapado. O belo site (criação de Aleph Ozuas, meu companheiro e também criador deste blog, by DZO) tem 13 livros e mais de 800 páginas em arquivos no formato pdf. Poesia, prosa poética, contos, artigos, diário de uma viagem solitária de bike à Patagônia e várias outras categorias compõem o site muito convidativo.
Renato, que vive numa casa charmosa na pequena cidade de Alfredo Wagner (SC), tem paixão antiga pelos felinos. Seus dois gatos (Monet e Griès) reinam livremente pela natureza ao pé da serra e, é claro, gatos não haveriam de faltar na obra do escritor: Gatos, pequeno dicionário poético é um livro em processo e dele eu escolhi este trecho para o catlover de hoje:
CRIANÇAS
Para quem não conhece os gatos, parece um mistério: quando, numa reunião de visitas, crianças entram na casa em que nunca haviam estado e, surpresas, se deparam com um gatinho com olhar confuso no meio da sala, ele de repente foge, a buscar refúgio em algum canto. Isso acontece em maior medida com os gatos adultos. Os filhotes, inocentes e brincalhões todas as horas em que não estão dormindo, acham as crianças divertidas, só que um tanto exageradas. Mas os felinos adultos, depois de tantas experiências, são meio traumatizados. Para uma criança, um gato pode ser um ótimo brinquedo: pode-se, por exemplo, agarrá-lo pelo rabo, arrastá-lo em meio aos móveis, apertá-lo até ele miar, miar como ele até ele não agüentar mais e sumir, colocá-lo de cabeça para baixo, jogá-lo para o alto para verificar se é mesmo verdade que um gato sempre cai com as patas para baixo, e inclusive testar as tais de suas “sete vidas”, pondo-o para secar no microondas ou dando-lhe um banho na máquina de lavar roupas… De posse desse conhecimento acumulado, o gato adulto, quando pequenos humanos entram na sala, disparam. A não ser aquela, que tem nome de flor e, tímida e de voz baixa, pergunta à dona se pode acariciar o gatinho. A resposta é sim, e a menina, em gestos lentos e meigos, sente no pêlo acetinado do gato que o mundo, às vezes, pode se tornar delicado.


Leila, agora estou pondo em dia a leitura do teu blog… Gostei mto do site e das sugestões de leitura. Adorei o dicionário! E as poesias!
E o Aleph, hein? Lindo trabalho!
Ainda sobre escritores e gatos: lestes as Memórias de mis putas tristes? Do garcia Marques? tem uma estória de adoção… o velho e um gato velho…
bjs, f
Leila querida, tive que voltar aqui pq voltei ao site de teu amigo e descobri uma carta para Clarice Lispector que é simplesmente… um beijo no escuro! - expressão que ele usa em algum momento. Um beijo na alma em plena madrugada, à luz da tela do computador - é o sentimento de quem acabou de descobrir tardiamente Clarice (e anda tonta de paixão e susto). Não, não que não conhecesse Clarice antes. Eu tinha 14 anos quando li um conto dela numa coletânea. falo de descoberta. De estar, como ela disse, com a alma pronta - pronta para lispector.
Por uma coincidência (e ando tb tonta com essa coisa de sincronicidades!) entrei na Barca dos Livros para pegar um livro de Clarice no dia dos 30 anos de sua morte, agora em dezembro. Li A hora da estrela pela primeira vez nesta semana.
A carta que acabo de ler é aflitiva pq presentifica o fato de que Clarice morreu e não tornará a escrever, mas é um alento porque nos revela a alma pronta. Não avançaria com aqui bobagens do tipo Clarice vive em Renato Tapado, ou nos seus leitore! Mas de alguma forma essa carta é lispector - é lis no peito.
Abç, bjs, f
Ps, é tarde e eu vou dormir pq vi que acarta seguinte é para um querido amigo, Lourival, e aí corro o risco de virar a noite entre teu blog e seus links. Gatos, amigos, quadros, livros, teu blog é vortex
Oi, Leila!
Como foi de Natal e Ano Novo?
Também estou pondo a leitura do Gato Preto em dia, adorei o texto do seu amigo. Especialmente, a última frase. Linda.
Beijos e ótimo 2008!
Cris
Oi Flavia! Ainda não li o Memórias de mis putas tristes, mas com certeza está na minha lista de espera. É tanta coisa pra ler, que eu até me perco com tanta novidade e boas dicas. Eu também gosto muito da Clarice e o primeiro livro que li dela foi o Paixão segundo GH. Esta carta no site do Renato é realmente muito bela. Que bom que este site parece uma cafeteria cheia de encontros e desencontros, hein?
Oi Cris, foi tudo ótimo, e vc? Vou aparecer lá no teu blog!!
é, tudo bem que na sexta tomamos um longo cafezinho virtual, que entre emails e posts se arrastou a tarde inteira, mas não abro mão daquele real! Mas vamos esperar a horda desobstruir as vias do paraíso…
bj, f