Uma mulher chamada Edith Gaertner

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Esta semana estive em Blumenau, mas sem tempo para passeios e cervejas, uma pena! Mesmo assim, achei tudo muito lindo. Blumenau é uma cidade encantadora e cultural, cheia de saborosas confeitarias a cada esquina e de pessoas muito receptivas. Quando eu estava de partida, soube que na cidade havia um Cemitério dos Gatos dentro de um Horto Florestal e que pertenceu a uma atriz que amava gatos e se chamava Edith Gaertner.

Edith era uma mulher à frente de seu tempo. Nascida em 22 de março de 1882, era sobrinha-neta do químico e filósofo Hermann Bruno Otto Blumenau (1819-99), fundador da cidade de Blumenau. Com temperamento independente, aos 20 anos viajou sozinha para Buenos Aires. Seu grande sonho era o teatro e na Argentina conheceu sua musa inspiradora, a atriz Elenora Duse. Edith foi para a Alemanha, onde cursou a Academia de Arte Dramática em Berlim. Percorreu as principais cidades da Europa trabalhando em peças nos mais renomados palcos de teatro, com peças de Goethe, Schiller, Molière e Shakespeare. Com a doença dos irmãos solteiros, Edith teve que retornar a Blumenau em 1924 e abandonou a carreira artística. Ela voltou à Alemanha somente em 1928 e permaneceu lá por mais de um ano. Nesta época, a Alemanha vivia os efeitos do pós Primeira Guerra Mundial. Quando retornou ao Brasil, Edith modificou radicalmente seus hábitos e estilo de vida. Do constante e assíduo contato com o público, preferiu refugiar-se no silêncio da sua propriedade, entre livros, animais e o verde do parque nos fundos da casa, e foi assim até o final de sua vida.

A ameaça de perder parte de seu patrimônio (um dos mais expressivos referenciais da colonização alemã) para dar lugar a uma nova rua, fizeram-na tomar uma atitude: doou para o município uma área de 1.775 m² . A doação foi feita sob a condição de se manter a área tal como a deixara, garantindo que ninguém a perturbasse em seu retiro enquanto vivesse, e que após sua morte este patrimônio continuaria a ser mantido. Edith faleceu em 15 de setembro de 1967. A residência, o horto e outras benfeitorias foram incorporadas à Fundação Cultural de Blumenau, transformadas no Museu da Família Colonial e Parque Botânico Edith Gaertner.

Edith deixou registro fotográfico das flores que alegravam seu belo jardim e dos gatos, seus fiéis companheiros. A atriz tinha grande afeto pelos felinos, que ao morrerem eram enterrados com funeral e cortejo fúnebre. No Cemitério dos Gatos (foto abaixo, à direita) estão enterrados: Pepito, Mirko, Bum, Peterle, Musch, Schnurr, Sittah, Putze e Mirl.

Além do Parque Botânico que leva seu nome, há também a Sala de Teatro Edith Gaertner, dentro da Fundação Cultural de Blumenau, e parte de sua história é contada no longa-metragem “Outra Memória”, dirigido por Chico Faganello.

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8 Responses to “Uma mulher chamada Edith Gaertner”


  1. 1 Carol Grilo

    Que história linda!
    Deu vontade de ir até lá passear qualquer dia desses…

  2. 2 Flávia M Motta

    Bela história! Bela mulher!
    Belo post para um 8 de março!
    obrigada! bjs, f

  3. 3 Regininha

    Nunca tinha ouvido falar dela, e achei lindo, Leiloca!
    bj

  4. 4 leila

    Meninas,
    eu achei que Edith merecia mesmo um post para o nosso dia!
    Viva as mulheres!
    Beijos a todas :D

  5. 5 Cris

    Que encanto de pessoa deve ter sido a Fraulein Blumenau… Lindo post, Leila! Beijos!

  6. 6 Cris

    Ah, esqueci de mencionar o quanto a atriz americana Kirsten Dunst lembra o rosto da Edith nessas fotos{eu e minha mania de ver semelhanças}! :-)

  7. 7 leila

    Cris, agora que você mencionou, percebi que lembra mesmo!! :)

  8. 8 Cris

    :-)

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