Saiu ontem no jornal Notícias do Dia uma matéria (de Letícia Kapper) sobre a morte anunciada do Cine York, aqui em São José. Considerada uma das melhores salas de cinema de Santa Catarina e sem dúvida o cinema mais charmoso do Estado, a família Gerlach, que heroicamente manteve o cinema por 10 anos, não aguentou a fraca bilheteria dos últimos anos e decidiu fechar o cinema. Reproduzo aqui um trecho da matéria:
A perda do município é do Estado igualmente. O espaço é charmoso e tem elementos – como tapete vermelho importado, poltronas macias e confortáveis de veludo belga na cor vinho, assim como coleção de cartazes de cinema antigos – que a caracteriza como uma das boas velhas salas, mas com o conforto do ar-condicionado. Com o fechamento encerra-se um espaço cultural valioso, restando apenas o Clube Nossa Senhora do Desterro, no CIC, em Florianópolis, como opção aos que preferem uma programação menos americana e mais sofisticada”.
Realmente um drama para quem aprecia cultura. Moro em São José há quatro anos e considero o Cine York o melhor ponto de cultura da cidade (senão o único). O senhor Gilberto Gerlach é uma referência da cultura josefense porque além de manter a história do cinema York, também escreveu um belo livro sobre a cidade.
São José possui aproximadamente 200 mil habitantes e além do Cine York, a cidade possui apenas mais 5 salas da rede Arcoíris cinemas, nas quais os filmes são todos dublados, mesmo nas sessões noturnas. Ô tristeza….
Por quê? Para quê colecionar livros? O Bibliófilo Aprendiz (Casa da Palavra) certamente responde a estas e outras indagações para os curiosos e para quem ama viver cercado por livros. Simples e claro, o livro é um convite aos novos leitores e àqueles com interesse pelos livros raros. “Falar de livros é a melhor das prosas. Mas está se perdendo o hábito de prosear. Não se proseia mais em portas de livrarias”, revela o autor Rubens Borba de Moraes, o qual foi diretor da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, entre 1945 e 1947, e diretor da Biblioteca da ONU em Nova York, de 1954 a 1959.
Coloco aqui alguns ensinamentos colhidos no livro para atiçar a sua curiosidade:
Um livro começa sua carreira sendo “comum”; passa a ser “escasso”; torna-se “raro”; e acaba sendo “raríssimo”.
O prazer de colecionar, a emoção de encontrar um livro procurado há anos, a volúpia de completar as obras de um autor, é, para o milionário que paga uma fortuna por um livro, a mesma do pobretão que encontra num sebo o volume sonhado”.
O que o bibliófilo procura é um prazer intelectual e artístico e não o ganhar dinheiro”.
Para se formar uma coleção homogênea sobre um assunto ou um autor é preciso ciência, conhecer a vida do autor, saber quando, onde publicou seus livros. É preciso toda uma soma de conhecimentos, uma verdadeira erudição.É aí que está a diferença entre o verdadeiro bibliófilo e o mero comprador de livros”.
Esta é uma das obras mais conhecidas da artista norte-americana Sandy Skoglund. Fazem parte de seu processo de criação objetos cuidadosamente selecionados e coloridos, em um processo que leva meses para a sua conclusão. Além de objetos esculpidos, a artista completa suas obras (fotos, instalações e vídeos) com a presença de atores.
Skoglund, que é atualmente docente em fotografia e arte instalação na Rutgers University, em Nova Jersey (EUA), afirma que enquanto criava Radioactive Cats, começou a perceber o mundo como se ela fosse um gato.
Alguns críticos escreveram que o número excessivo de gatos em RC indica a perda de controle humano, e que se lido no contexto de uma catástrofe nuclear, o excesso de gatos sugere que a natureza como conhecemos terá sido perdida. Pelo contexto social, a figura dos idosos e o número excessivo de gatos remetem à generosidade dos idosos ao recolher os felinos. Outros afirmam que a autora criou gatos luminosos (jogando com a idéia de que os gatos pode ver à noite), dispostos em um apartamento sombrio e degradado, criando um mundo para além do nosso controle. E outros exageram ao dizer que a obra retrata animais perseguindo o casal idoso na cozinha, onde no brilho que emana o ato de abrir a porta da geladeira, assiste-se a um pesadelo de velhice e de decrepitude.
Na minha opinião, gatos e humanos estão serenos e em plena harmonia. É uma obra fascinante.
Radioactive Cats (1980): fotografia colorida (cibachrome), 65 x 83 cm.
Acervo: fraclorraine.org
Enquanto a temporada de séries não recomeça, uma boa dica é assistir aos 7 capítulos de John Adams (2008, HBO).
Estrelada pelo excelente Paul Giamatti (Sideways e American Splendor) no papel título, ao seu lado está a atriz Laura Linney como a dedicada esposa e conselheira Abigail Adams. A série retrata a vida e a jornada de John Adams, importante diplomata e idealista, um dos responsáveis pelo pontapé inicial na ruptura com a Inglaterra para a independência norte-americana. Subestimado e pouco compreendido, Adams foi uma figura importante, cujo legado tem sido muitas vezes eclipsado pelos ilustres Thomas Jefferson, Alexander Hamilton e Benjamin Franklin – também retratados na série. Adams foi o primeiro vice-presidente (George Washington foi o primeiro) e segundo presidente dos EUA. O casal Adams foi também, o primeiro a habitar a Casa Branca.
O roteiro é adaptado do bestseller homônimo de David McCullough, vencedor do Pulitzer Prize em 2002. O diretor da série trabalhou diretamente com o escritor para liquidar os detalhes, e o lado humano da história é capturado na volumosa correspondência entre John e Abigail Adams. Os políticos, militares e amigos pessoais foram cuidadosamente produzidos e a concepção é precisa na criação das maquiagens (David Morse está incrível como George Washington), trajes e cenários.
John Adams não é apenas uma aula para os adeptos da história, mas um drama com grande relevância hoje.
A dica do post anterior foi colhido do charmoso O Gato que lê. A autora do blog é a catlover-Cris, que desde julho está comendo o Alasca e me fez o convite para participar de uma brincadeira entre blogs.
Estas são as regras:
1. escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2. convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
3. comentar no blog de quem nos convidou;
4. comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
5. mencionar as regras.
Depois de muito pensar e chegar a resultado nenhum, decidi que a minha lista seria esta:
1. ter muita saúde para continuar a vida;
2. estar sempre perto das pessoas que amo;
3. desfrutar as coisas boas que uma metrópole oferece;
4. morar no campo;
5. plantar o que comerei;
6. ter uma gataiada;
7. respirar arte, literatura e música todos os dias;
8. fazer uma longa viagem por algum lugar do planeta;
8. pagar menos impostos.
As fotos que ilustram este post são parte do projeto “Melting Away”, de Camille Seaman, uma norte-americana descendente de índios Shinnecock e criada numa pequena reserva em Long Island, no estado de Nova York. A fotógrafa obteve sua formação profissional ao lado de Steve McCurry (National Geographic), Sebastião Salgado entre outros.
Seaman descobriu o extremo norte do planeta em 1999 em viagem ao Alasca. Mais tarde, ela e alguns membros da família viajaram para uma geleira do Ártico norte (Noruega) e esta viagem, por sua vez, inspirou outra viagem para uma geleira na Antártida, em 2005. Lá, viu o seu primeiro iceberg. Mais tarde, Seaman fez outra viagem a uma geleira russa, sempre fotografando icebergs como um baú de tesouros, onde capta a sensibilidade do mundo exterior com a sua própria. Para Seaman, o objetivo é mostrar a individualidade dos icebergs como “brilhantes massas de tempo e experiência”.
Design3000 é um shopping de idéias com base física na Alemanha. A empresa tem um amplo e moderno catálogo de produtos para cozinhas, banheiros, escritórios e salas-de-estar. Um dos seus principais focos é a “jovem criatividade” de seus designers, o que é visível nos vários produtos à venda, como estes marcadores de livros que deixam a estante diferente e divertida.
Nasci em Joinville, em 1974, e cresci em Rio Negrinho, Santa Catarina. Vivo e trabalho em São José, SC. Sou graduada em artes plásticas e tenho 11 anos de experiência em design gráfico. O que inspira minha vida e trabalho? Tudo o que adoro: meu companheiro, família, gatos, amigos, livros, arte, música, cinema, fotos e muito mais, e nem sempre nesta ordem!
Quando não estou trabalhando (quase sempre com um dos meus gatinhos no colo), estou remando na Lagoa do Peri, ou andando de bike pela cidade com meu cúmplice e companheiro.
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