Archive for August, 2008

O triste fim do Cine York

Saiu ontem no jornal Notícias do Dia uma matéria (de Letícia Kapper) sobre a morte anunciada do Cine York, aqui em São José. Considerada uma das melhores salas de cinema de Santa Catarina e sem dúvida o cinema mais charmoso do Estado, a família Gerlach, que heroicamente manteve o cinema por 10 anos, não aguentou a fraca bilheteria dos últimos anos e decidiu fechar o cinema. Reproduzo aqui um trecho da matéria:

A perda do município é do Estado igualmente. O espaço é charmoso e tem elementos – como tapete vermelho importado, poltronas macias e confortáveis de veludo belga na cor vinho, assim como coleção de cartazes de cinema antigos – que a caracteriza como uma das boas velhas salas, mas com o conforto do ar-condicionado. Com o fechamento encerra-se um espaço cultural valioso, restando apenas o Clube Nossa Senhora do Desterro, no CIC, em Florianópolis, como opção aos que preferem uma programação menos americana e mais sofisticada”.

Realmente um drama para quem aprecia cultura. Moro em São José há quatro anos e considero o Cine York o melhor ponto de cultura da cidade (senão o único). O senhor Gilberto Gerlach é uma referência da cultura josefense porque além de manter a história do cinema York, também escreveu um belo livro sobre a cidade.

São José possui aproximadamente 200 mil habitantes e além do Cine York, a cidade possui apenas mais 5 salas da rede Arcoíris cinemas, nas quais os filmes são todos dublados, mesmo nas sessões noturnas. Ô tristeza….

O Bibliófilo Aprendiz

Por quê? Para quê colecionar livros? O Bibliófilo Aprendiz (Casa da Palavra) certamente responde a estas e outras indagações para os curiosos e para quem ama viver cercado por livros. Simples e claro, o livro é um convite aos novos leitores e àqueles com interesse pelos livros raros. “Falar de livros é a melhor das prosas. Mas está se perdendo o hábito de prosear. Não se proseia mais em portas de livrarias”, revela o autor Rubens Borba de Moraes, o qual foi diretor da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, entre 1945 e 1947, e diretor da Biblioteca da ONU em Nova York, de 1954 a 1959.

Coloco aqui alguns ensinamentos colhidos no livro para atiçar a sua curiosidade:

Um livro começa sua carreira sendo “comum”; passa a ser “escasso”; torna-se “raro”; e acaba sendo “raríssimo”.

O prazer de colecionar, a emoção de encontrar um livro procurado há anos, a volúpia de completar as obras de um autor, é, para o milionário que paga uma fortuna por um livro, a mesma do pobretão que encontra num sebo o volume sonhado”.

O que o bibliófilo procura é um prazer intelectual e artístico e não o ganhar dinheiro”.

Para se formar uma coleção homogênea sobre um assunto ou um autor é preciso ciência, conhecer a vida do autor, saber quando, onde publicou seus livros. É preciso toda uma soma de conhecimentos, uma verdadeira erudição.É aí que está a diferença entre o verdadeiro bibliófilo e o mero comprador de livros”.

Radioactive Cats

Esta é uma das obras mais conhecidas da artista norte-americana Sandy Skoglund. Fazem parte de seu processo de criação objetos cuidadosamente selecionados e coloridos, em um processo que leva meses para a sua conclusão. Além de objetos esculpidos, a artista completa suas obras (fotos, instalações e vídeos) com a presença de atores.

Skoglund, que é atualmente docente em fotografia e arte instalação na Rutgers University, em Nova Jersey (EUA), afirma que enquanto criava Radioactive Cats, começou a perceber o mundo como se ela fosse um gato.

Alguns críticos escreveram que o número excessivo de gatos em RC indica a perda de controle humano, e que se lido no contexto de uma catástrofe nuclear, o excesso de gatos sugere que a natureza como conhecemos terá sido perdida. Pelo contexto social, a figura dos idosos e o número excessivo de gatos remetem à generosidade dos idosos ao recolher os felinos. Outros afirmam que a autora criou  gatos luminosos (jogando com a idéia de que os gatos pode ver à noite), dispostos em um apartamento sombrio e degradado, criando um mundo para além do nosso controle. E outros exageram ao dizer que a obra retrata animais perseguindo o casal idoso na cozinha, onde no brilho que emana o ato de abrir a porta da geladeira, assiste-se a um pesadelo de velhice e de decrepitude.

Na minha opinião, gatos e humanos estão serenos e em plena harmonia. É uma obra fascinante.

Radioactive Cats (1980): fotografia colorida (cibachrome), 65 x 83 cm.
Acervo: fraclorraine.org

D’un Peu Plus Loin

Uma bela animação criada pelo francês François-Marc Baillet.
Dois minutos com imagens e trilha musical em perfeita sincronia.

Colhido no Smelly cat

John Adams

Enquanto a temporada de séries não recomeça, uma boa dica é assistir aos 7 capítulos de John Adams (2008, HBO).

Estrelada pelo excelente Paul Giamatti (Sideways e American Splendor) no papel título, ao seu lado está a atriz Laura Linney como a dedicada esposa e conselheira Abigail Adams. A série retrata a vida e a jornada de John Adams, importante diplomata e idealista, um dos responsáveis pelo pontapé inicial na ruptura com a Inglaterra para a independência norte-americana. Subestimado e pouco compreendido, Adams foi uma figura importante, cujo legado tem sido muitas vezes eclipsado pelos ilustres Thomas Jefferson, Alexander Hamilton e Benjamin Franklin – também retratados na série. Adams foi o primeiro vice-presidente (George Washington foi o primeiro) e segundo presidente dos EUA. O casal Adams foi também, o primeiro a habitar a Casa Branca.

O roteiro é adaptado do bestseller homônimo de David McCullough, vencedor do Pulitzer Prize em 2002. O diretor da série trabalhou diretamente com o escritor para liquidar os detalhes, e o lado humano da história é capturado na volumosa correspondência entre John e Abigail Adams. Os políticos, militares e amigos pessoais foram cuidadosamente produzidos e a concepção é precisa na criação das maquiagens (David Morse está incrível como George Washington), trajes e cenários.

John Adams não é apenas uma aula para os adeptos da história, mas um drama com grande relevância hoje.

Brincadeira entre blogs

A dica do post anterior foi colhido do charmoso O Gato que lê. A autora do blog é a catlover-Cris, que desde julho está comendo o Alasca e me fez o convite para participar de uma brincadeira entre blogs.

Estas são as regras:

1. escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2. convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
3. comentar no blog de quem nos convidou;
4. comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
5. mencionar as regras.

Depois de muito pensar e chegar a resultado nenhum, decidi que a minha lista seria esta:

1. ter muita saúde para continuar a vida;
2. estar sempre perto das pessoas que amo;
3. desfrutar as coisas boas que uma metrópole oferece;
4. morar no campo;
5. plantar o que comerei;
6. ter uma gataiada;
7. respirar arte, literatura e música todos os dias;
8. fazer uma longa viagem por algum lugar do planeta;
8. pagar menos impostos.

Os blogues convidados são:
. Bruxismo;
. Cadernos Afetivos;
. Coisas de Regininha;
. Dustetry;
. Fofysland;
. Laura Pereira;
. Neosinapses;
. Palavras que Caminham.

Melting Away

As fotos que ilustram este post são parte do projeto “Melting Away”, de Camille Seaman, uma norte-americana descendente de índios Shinnecock e criada numa pequena reserva em Long Island, no estado de Nova York. A fotógrafa obteve sua formação profissional ao lado de Steve McCurry (National Geographic), Sebastião Salgado entre outros.

Seaman descobriu o extremo norte do planeta em 1999 em viagem ao Alasca. Mais tarde, ela e alguns membros da família viajaram para uma geleira do Ártico norte (Noruega) e esta viagem, por sua vez, inspirou outra viagem para uma geleira na Antártida, em 2005. Lá, viu o seu primeiro iceberg. Mais tarde, Seaman fez outra viagem a uma geleira russa, sempre fotografando icebergs como um baú de tesouros, onde capta a sensibilidade do mundo exterior com a sua própria. Para Seaman, o objetivo é mostrar a individualidade dos icebergs como “brilhantes massas de tempo e experiência”.

Produtos criativos


Design3000 é um shopping de idéias com base física na Alemanha. A empresa tem um amplo e moderno catálogo de produtos para cozinhas, banheiros, escritórios e salas-de-estar. Um dos seus principais focos é a “jovem criatividade” de seus designers, o que é visível nos vários produtos à venda, como estes marcadores de livros que deixam a estante diferente e divertida.