Esta semana assisti ao premiado longa alemão Das Leben der Anderen (A vida dos outros, 2006) e pesquisando sobre ele aqui na net encontrei no escrevercinena uma lista de filmes alemães sobre o mesmo tema: um país dividido pelo muro de Berlim, sua queda e sua reunificação. Acho pertinente que este seja um dos principais temas do cinema alemão contemporâneo, já que muito se falou sobre a II Guerra, e não desmerecendo a sua importância, é um tema pra lá de comentado e romanceado. Porém pouco se discutiu sobre suas consequências. Noutro dia, minha professora de alemão contou que, quando viveu na Alemanha Ocidental, seu ex-marido (um pastor luterano) foi convidado a visitar uma igreja na então Alemanha Oriental e o pastor de lá pediu para que eles levassem papéis em branco. Ao chegar na fronteira, o policiamento era tão severo, que durante a inspeção quase desmontaram o carro em que estavam. Ela disse que não foi uma experiência nada agradável e que confiscaram todos os papéis em branco porque era considerado subversivo. Esta é somente uma das tantas histórias sobre esta fronteira que foi, ao mesmo tempo tão estreita e tão difícil de passar.
A história de A vida dos outros se passa em 1984, na antiga DDR (República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental), cinco anos antes da queda do muro de Berlim. Na extinta república, o governo oriental buscava assegurar seu poder através do sistema de controle e vigilância permanente sobre os cidadãos e, inserido neste contexto, o dramaturgo Georg Dreyman (Sebastian Koch) e sua companheira e atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck) viviam em meio à elite intelectual, porém sem liberdade de expressão e criando apenas o que o governo lhes permitia. Nesta época vários intelectuais cometeram suicídio e esta notícia vazou na imprensa ocidental, chamando a atenção mundial. Com isto, o governo passa a desconfiar do dramaturgo e coloca um fiel agente do sistema, o protagonista do filme, Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) para vigiar e coletar evidências contra o dramaturgo e sua companheira. Entretanto, esta “operação”, cheia de escutas e de microfones ocultos leva a um outro desdobramento: ao submergir na vida dos observados, o agente passa por mudanças profundas e descobre um mundo desconhecido, ao qual tantas pessoas dentro do regime tentavam até então ignorar.
Este filme, mesmo sendo direto e frio (o que é comum nos filmes alemães) é envolvido pela arte e suas formas de pensar e se expressar e, é aí que o filme torna-se tocante, porque nos faz conscientes de que a arte tem a mais rica das funções: enriquecer a nossa própria existência.

Leiloca:
puxa, tou com vontade de bater em mim mesma, pois ainda não vi…
Tá todo mundo dizendo maravilhas, e a tarada aqui só escreve, orra!
Vou dar um jeito nesta vida, pó deixar.
Depois te conto o que achei.
bj
Pois pega na locadora Regininha! Vai gostar, tenho certeza!!
beijinhos
assisti hoje a esse filme e vim aqui dizer que adorei também.
filme denso, lírico, forte. como um bom filme deve ser. beijo beijo, leila!
Bom né, Paula? Adorei o desfecho dele. beijos