Lomography: não pense, apenas fotografe

LC-AEra uma vez… no ano de 1982, durante a guerra fria, lá na distante e antiga União Soviética, mais precisamente em São Petersburgo, um certo general russo ordenou ao diretor da maior empresa óptica de seu país, que fabricasse muitas e muitas máquinas fotográficas pequeninas, baratas, robustas e fáceis de usar, para que todas as famílias pudessem registrar suas alegrias (ou não!). A fábrica, cujo nome era LOMO (Leningradskoye Optiko Mechanichesckoye Obyedinenie), muito rapidamente começou a fabricar uma máquina que seria produzida em série, a LC-A (Lomo Kompact Automat) e que passou a ser vendida também em outros países comunistas como a Cuba, Alemanha Oriental e Vietnã. Mas o comunismo da então União Soviética acabou e as câmeras foram esquecidas e desaparecendo com o tempo.

Em 1991, dois jovens estudantes austríacos saem de férias em Praga e percebem que esqueceram suas câmeras fotográficas. Descobrem num antiquário uma antiga máquina LC-A. Entusiasmados com a pequena máquina, fotografam tudo e todos, muitas vezes sem olhar através da objetiva. De volta à Viena, o fascínio dos estudantes pelo resultado das cores, luz e qualidade das imagens (focadas ou desfocadas) foi tão contagioso, que rapidamente a boa nova se espalhou e as cameretas tornaram-se febre entre os jovens da cidade, que viajavam até Praga para também comprar a máquina.

lojalomoespanhaA mania cresceu tanto que em 1994, nascia em Viena a Lomography Society com o objetivo de afirmar o valor artístico da lomografia através de diversos eventos culturais, dentre eles a primeira exposição internacional lomográfica que ocorreu simultanemente em Moscou e Nova York, disponibilizando lado a lado milhares de imagens, constituindo um imenso Lomowall. A Society (comunidade) tinha como objetivo impedir o desaparecimento das máquinas fotográficas russas.

LC-A photo exampleQuando a LOMO ameaçou parar de fabricar a LC-A, os jovens austríacos foram à Rússia propor a Vladmir Puttin que os russos continuassem a produzir a câmera e a Sociedade Lomográfica garantiria as vendas. Deu certo e em pouco tempo a Lomografia tornou-se um dos mais criativos movimentos culturais da atualidade, alcançando outros países da Europa, os Estados Unidos e Ásia. Hoje as câmeras são fabricadas na China.

Mas o que torna a LC-A tão especial? Sua exposição automática, feita sob medida para difíceis condições de luz sem o uso do flash e as lentes Minitar, que adicionam brilho às cores e criam efeitos inusitados.

Através do website da comunidade, a idéia de registrar o cotidiano foi espalhado sob o slogan “Não pense, apenas fotografe”. Hoje a fabricação e diversidade de câmeras LOMO (todas analógicas) é enorme. No Brasil existe a LomoBR, onde você encontra mais informações sobre esta mania mundial e também todas as ‘10 golden rules‘.

2 Responses to “Lomography: não pense, apenas fotografe”


  1. 1 Cris Catlover

    Que bacana, Leila! Muito bom saber a origem da Lomo, adorei a história! Realmente, em se tratando de foto colorida, não existe nada igual. :-)

  2. 2 leila

    Fui num lab hoje e realmente a fotografia analógica está acabando. Filmes cada vez mais caros e raros, que tristeza!

Leave a Reply