Tudo começou quando Sylvia Beach (1887-1962), uma norte-america radicada em Paris, decidiu montar em 1919, uma livraria com a intenção de difundir os novos autores e a literatura contemporânea do seu país de origem. A nova livraria situada na Rue Dupuytren nº 8 atraiu muitos curiosos e amantes das letras. Assim surgiu a Shakespeare and Company, que logo depois mudaria para a Rue de l’Odéon nº 12, tornando-se o centro da cultura literária de língua inglesa na capital da França. Grandes nomes freqüentaram ou se instalaram na livraria de Sylvia e dentre seus fregueses estavam Gertrude Stein, Ezra Pound, Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway (ao lado de Sylvia na foto acima, à esquerda), James Joyce (com Sylvia na foto acima, à direita) e Man Ray.
O livro Shakespeare and Company, uma livraria na Paris do entre-guerras, publicado pela ótima editora Casa da Palavra, é um relato de Sylvia sobre as peculiaridades de seu empreendimento. Sylvia teve coragem suficiente para publicar Ulisses de Joyce, na época em todas as editoras se recusavam a editá-lo. Todos os passos da construção de Ulisses são narrados, desde a procura por um tipógrafo interessado no audacioso projeto, as revisões de Joyce sobre as inúmeras provas do livro até seu lançamento e sua aceitação pelo público. Ulisses foi o único livro publicado pela Shakespeare and Company de Sylvia Beach.
Já consolidada, a livraria fechou em plena II Guerra Mundial, pois a nacionalidade norte-americana de Sylvia e suas amizades judaicas chamaram a atenção dos nazistas. Após recusar-se a vender um exemplar de Finnegans Wake a um militar alemão, Sylvia recebeu o aviso de que os nazistas iriam confiscar tudo. Em questão de horas tudo foi escondido no terceiro andar do prédio e, em 1941, quando os alemães voltaram lá, não encontraram mais a loja.
Em 1951 outro norte-americano radicado em Paris (George Whitman, 1913 - ) abriu uma livraria com o mesmo nome na Rue de la Bücherie nº 37 (fotos abaixo) e hoje funciona nos moldes da antiga loja de Beach. Há décadas a livraria continua sendo o ponto de encontro para amantes da literatura e de aventureiros amantes da leitura em busca de um lugar para dormir. Lá, livros e camas se juntam. Whitman pretendeu transformar sua loja de livros numa “utopia socialista disfarçada de livraria”. Na década de 50, integrantes da geração beat, como William Burroughs e Allen Ginsberg buscaram guarida na livraria. No livro Um livro por dia - minha temporada parisiense na Shakespeare and Company, o ex-jornalista policial canadense e hoje escritor Jeremy Mercer narra os nove meses em que passou em companhia de George Whitman e dos viajantes que procuraram a livraria como pouso em troca de trabalho. O livro foi publicado pela mesma editora e além das aventuras dentro da excêntrica livraria, Jeremy narra sua vivência em Paris com pouco dinheiro no bolso, de forma bem alternativa e nem por isso de forma miserável.
Para conhecer um pouco mais desta charmosa livraria, acesse este site e faça um giro de 360º pelos arredores da livraria ou por entre suas estantes recheadas por milhares de livros. Há também comunidades na net, como esta no Flickr, com várias fotos em diversos ângulos, inclusive da gatinha preta Kitty, que entre um cochilo e outro, tem a função de vigiar os livros dos temíveis roedores.
Outra dica é assistir ao filme Before Sunset (2004), com Julie Delphy e Ethan Hawke. O filme começa dentro da livraria, mas este é assunto para o próximo post. Aguardem!


isso quer dizer que está mais do que na hora de vc vir conhecer e tomar um café (comigo) na barca dos livros. Um lugar de onde não quero mais sair!
Ficou lindo o post!
bjs, f.
teu blog tá lindo, leila! adorei as dicas, as fotos, o portfolio. parabéns! e um beijo =)
Ai, minhas culpas! Ando tão cansada que durmo se tento ver algum filme, e tu aí, me sugerindo coisas irresistíveis, mulher má!
Não perdôo, não!(rs)
bj
Flávia querida! Eu vou, não desista de mim!! Beijão e parabéns pelo teu blog!
Paula, obrigado pela visita e pelos elogios.
Regininha, só quero o bem para meus amigos!! Deixa de saracotear pela Trindade e dorme um pouco mulé!!! beijos
Leila, esse livro é maravilhoso e, portanto, recomendadíssimo! Nos meus tempos de Orkut, cheguei a criar uma comunidade dedicada à livraria de Sylvia Beach e, ao sair, deixei-a aos cuidados de uma outra amante das letras {coincidentemente, daí de SC}.
A Casa da Palavra é, na minha opinião, uma das melhores editoras brasileiras por seu espírito de independência e por ter um catálogo diferente, fresco e de altíssima qualidade. Inclusive, tive o prazer de conhecer a dona, Martha Ribas, que além de supercompetente, é uma simpatia de pessoa. Beijos!
Ah, o livro do Jeremy também é muito bom! E aproveitando, recomendo o blogue da Mariana Newlands, autora do projeto gráfico dos dois títulos: http://www.interludio.net. Beijos!
Oi Cris,
Vou conferir a comunidade sobre a Sylvia Beach no Orkut.
A Casa da Palavra realmente é uma das melhores editoras no Brasil. Tem um catálogo editorial maravilhoso, ainda mais para quem gosta de livros sobre livros! Que honra conhecer a dona, hein?
Eu já conhecia o site da Mariana e sempre fico ligada nas capas que ela cria, que aliás, são lindíssimas.
Beijos
Oi, Leila,
Se a nova administradora não tiver mudado o nome, é Shakespeare and Company mesmo. A Martha fez faculdade de produção editorial com um amigo meu e nos encontramos numa das edições da Bienal do Rio. Já a Mariana eu ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, mas já era fã das capas que ela cria há muito tempo {e sem saber que eram dela}. Beijos!
Oi Cris, sempre quis ir na Bienal do livro no Rio. Em SP fui em 2006 e pretendo voltar agora em agosto, mas acho que a do Rio é mais legal! Tem mais encontros, como este que aconteceu contigo.
Beijos